Baianos

Pouco sabemos sobre como surgem as correntes espirituais, mas podemos observar: Um espírito portador de um mistério vai arregimentando espíritos e vai assentando-os e dando-lhes a oportunidade de trabalhar sob seu comando ou liderança. Então surgem falanges como a dos Caboclos Pena Branca, ou de Pretos Velhos como Pai Joaquim, Pai João, etc.

No espiritismo, por exemplo, o espírito de Bezerra de Menezes iniciou a “corrente médica do espaço” e hoje milhares de espíritos trabalham nos centros espíritas dando consultas e orientações ou realizando operações espirituais. Da mesma forma surgiram as correntes de Boiadeiros, Ciganos, Marinheiros e …Baianos.

Dentro da linha dos Baianos, existem espíritos trabalhando sob todas as irradiações dos orixás. São espíritos alegres, brincalhões, descontraídos e “chegados” a trabalhos de “desmanches”, de kimbanda e de magia, que parecem dominar com facilidade e aos quais estão familiarizados.

São Conselheiros, orientadores, aguerridos e chegados à dança ritual, durante a qual irradiam enquanto giram com seus passos próprios. Suas oferendas devem ser feitas próximas de pés de coqueiros ou nos pontos de forças dos orixás que os regem.

Baianos e baianas têm a aparência de caboclos e pretos-velhos, mas se comportam como exus e pombagiras. Fumam cigarro de palha e tomam batida de coco. Os homens geralmente carregam uma peixeira.

O baiano representa a força do fragilizado, o que sofreu e aprendeu na “escola da vida” como ajudar. A bravura e irreverência atribuídas ao migrante nordestino parece ser responsáveis pelo fato de os baianos terem se tornado uma entidade freqüente e importante nas giras paulistas nos últimos anos.

Quando se referem aos exus usam o termo “Meu Cumpadre”. Mostram com eles afinidade e proximidade e costumam trazer recados do “povo da rua”. Enfrentam os invasores (quiumbas, obsessores) de frente, com falas do gênero “venha me enfrentar, vamos vê se tu pode comigo”. Buscam sempre o encaminhamento e doutrinação, mas quando o Zombeteiro não aceita e insiste em perturbar algum médium ou consulente, então o Baiano se encarrega de “amarrá-lo” para que não mais perturbe ou até o dia que tenha se redimido e queira realmente ser ajudado. Costumam dizer que se estão “trabalhando” é porque não foram santos em seu tempo e também estão ali para passarem um pouco do que sabem e principalmente aprenderem com o povo da terra.

Nas giras eles se apresentam com forte traço regionalista, com sotaque característico. Gostam de conversar e contar causos, mas também dão broncas. São “do tipo que não levam desaforo pra casa”, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversam bastante, falam baixo e manso, são carinhosos e passam segurança ao consulente.

Entre os nomes mais populares de baianos estão Severino da Bahia, Zé do Coco, Zé da Lua, Simão do Bonfim, João do Coqueiro, Maria Bonita, Maria das Graças, Maria das Candeias, Sete Ponteiros, Mané Baiano, Zé do Berimbau, Maria do Alto Do Morro, Zé do Trilho Verde, Maria do Balaio, Maria Baiana, Maria dos Remédios e Zé do Prado.

Alguns dos baianos supostamente foram cangaceiros do bando de Lampião, associados no imaginário popular à luta contra as injustiças sociais. Incluem, além do próprio Lampião, Corisco, Maria Bonita, Jacinto, Raimundo, Cabeleira, Zé do Sertão, Sinhô Pereira, Chumbinho e Sabino.

Têm sido associados aos baianos também os “malandros”, inspirados no tipo tradicional do malandro carioca, possivelmente as entidades mais ambivalentes da Umbanda, visto aparecerem também como exus. O mais conhecido é Zé Pelintra, ao qual se associam Zé Navalha, Sete-Facadas, Zé-da-Madrugada, Sete-Navalhadas, Zé da Lapa e Nego da Lapa, entre outros.

Saudação: é da Bahia meu Pai; Salve o Senhor do Bonfim
Ponto de Força: Do Orixá regente
Sincretismo: Do Orixá regente
Data Comemorativa: Do Orixá regente
Dia da Semana: Do Orixá regente
Cor de vela: Amarela ou do Orixá regente
Colar de contas: Amarela ou do Orixá regente, coquinhos
Ervas: Do Orixá regente
Flores:
Oferenda: Farofa com carne seca
Bebida: Côco com Cachaça
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