Desde há muito, o homem identificava na natureza locais onde energeticamente conseguia estabelecer uma ligação com suas divindades.  Normalmente esses locais possuíam algum símbolo como uma árvore, uma pedra, etc.  Entendia esses locais como “pontes” onde podiam se comunicar com a divindade através de seus cultos.  Isso é ainda anterior aos templos que, posteriormente foram construídos nesses exatos locais.

Congá ou Gongá, palavra de origem Bantú que por corruptela lingüística se transforma em Congar ou Congal representa o Altar Umbandista.  Altar vem do latim “Altus” que significa alto, elevado; exatamente a idéia da “ponte” ao divino.

A Umbanda é uma religião sincrética.  Os negros escravos eram catequizados e obrigados a se converterem ao catolicismo por seus senhores.  Daí, nasceu a associação do panteão africano aos santos católicos, como forma de cultuarem seus Orixás através das imagens católicas sem assim desgostarem seus senhores.  Quanto ao Congá, era uma altar católico com os assentamentos escondidos por baixo.

No Congá podemos encontrar uma variedade de objetos como estátuas de santos católicos, de caboclos, de pretos-velhos, de Orixás, quartinhas, velas, pedras/otás, pontos riscados, flores, objetos de uso ritual das entidades…que seguem a mesma imantação do Congá.

Embora um grande número de pessoas pertencentes a outros segmentos religiosos, não conhecendo os fundamentos através do qual a Umbanda se movimenta, considerem o Congá um local de idolatria e fetiches desnecessários, ele é uma das nossas “pontes”, servindo como tal para a firmeza e segurança do Terreiro,  notadamente em seus aspectos EXOtérico e ESOtérico.

“Exotérico” vem do grego exoterikós e refere-se ao ensinamento que em escolas da antiguidade grega era transmitido ao público sem restrições, por tratar-se de ensinamento dialético, provável e verossímil.

A nível exotérico, o Congá funciona como ponto de referência ou lugar de intermediação ou fixação psíquica, para o qual são direcionadas ondas mentais na forma de preces, rogativas, agradecimentos, meditações etc.

É sabido que os terreiros de Umbanda recebem pessoas dos mais diferentes degraus evolucionais, umas dispensando instrumentos materiais para elevarem seus pensamentos ao plano invisível, e outras tantas, a maioria, necessitando de elos tangíveis de ligação para concentração, afloramento, e direcionamento do teor mental das mesmas.

No quesito sugestibilidade, o Congá, por sua arrumação, beleza, luminosidade, vibração etc., estimula médiuns e assistentes a elevarem seu padrão vibratório e a serem envolvidas por feixes cristalinos de paz, amor, caridade e fraternidade, emanados pela Espiritualidade Superior atuante.

Já no âmbito esotérico o Congá assume o papel daquela “ponte” citada anteriormente executando várias funções.

“Esotérico” vem do grego esoterikós e refere-se ao ensinamento que era reservado aos discípulos completamente instruídos nas escolas filosóficas da Antiguidade. Por extensão, todo ensinamento ministrado a círculo restrito e fechado de ouvintes.

O Congá atrai para si todas as construções mentais que pairam sobre o terreiro numa contínua atividade magneto-atratora de recepção de ondas ou feixes mentais, sejam positivos ou negativos, do plano astral ou físico.  Essas ondas de pensamento vão se aglutinando e condensando ao seu redor.  A partir daí, desde que assentado corretamente, vai escoando tal um fio terra, todos os miasmas e as cargas magneto-negativas, descarregando para a Mãe Terra.

Por outro lado, as ondas de pensamento positivas são expandidas e devolvidas em todo o seu redor num potente refluxo magneto-positivo.  Esta atuação do Congá está intimamente ligada à egrégora do terreiro.

Com relação ao assentamento, as imantações, o aterramento, etc, do Congá, não existe uma “fórmula” única.  O mesmo se procede sempre de acordo com instruções do, ou dos Guias que comandam o terreiro.  Os elementos sempre serão afins com as energias que regem o(s) Guia(s).  A única regra infalível é que “deve ser feito”.

Finalizando, não devemos esquecer nunca que nosso corpo físico/astral é nosso próprio Congá.  Fazê-lo funcionar como tal, no sentido esotérico, depende de nós!

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Fontes de consulta:

Tania Jandira / Fórum Umbanda Livre

Marco Valério do Valle Pellizer / Jornal Umbanda Hoje