Por muitas vezes em suas palestras conosco, o Pai Joaquim comentou que ajudar uma pessoa cujo problema vem através de algum “trabalho feito” é muito fácil; quisera todos os problemas fossem assim.  Desmancha-se o “trabalho” e está resolvido o problema. Mas quando a fonte da energia negativa é o coração humano, isto é muito complicado de resolver.  Uma mente que vibra continuamente qualquer sentimento débil em relação a outro ser, não precisa de nenhuma “macumba” para prejudicar;  é, por sí só,  fonte inesgotável de energias negativas com endereço inequívoco.  Pior ainda quando o destinatário se coloca em posição receptiva a estas energias, nutrindo de forma análoga pensamentos menos nobres em relação ao remetente.

O sábio preto velho sempre nos repete: “Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou apenas a amar. Eu sei que vocês ainda não são capazes de amar vossos inimigos, mas pelo menos não vibrem ódio contra eles. Se não conseguem perdoá-los, os esqueçam. Não pensem neles. Vibrar qualquer sentimento não elevado em relação a seus desafetos é alimentar, e se tornar receptivo, ao sentimento que eles tem contra vocês. Vocês só tornarão o sentimento contrário que vem e vossa direção mais forte.”

Infelizmente estes desvios de conduta no campo mental humano vão muito além de simples desavenças. Reproduzo aqui um trecho do livro Ataque de Defesa Astral de Marcelo Ramos Motta que narra um caso de vampirismo entre mãe e filho. Nos dá uma boa noção do poder da mente humana quando munida de vontade.

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Citaremos um exemplo de nossa própria experiência. Em uma daquelas épocas, tão comuns na vida iniciática, em que as circunstâncias materiais nos constringem, estávamos vivendo em uma pensão modesta no Rio de Janeiro onde conhecemos um casal, mãe e filho, que viviam juntos embora o filho tivesse mais de trinta anos de idade.

A mãe era uma senhora calada, de aspecto amável, com os olhos muito expressivos que irradiavam uma impressão de grande afeto, não só pelo filho como pelo mundo em geral. O filho era fisicamente um homem de aspecto normal, com uma aparência e personalidade bastante positiva, bom conversador etc. Tanto quanto podíamos perceber, no contato forçado de pessoas que são vizinhas em quartos de pensão, eles viviam na maior harmonia e nos pareciam perfeitamente normais.
Mas no segundo ano de nossa estadia na pensão o filho pediu para nos falar em particular e contou-nos uma história estranha. Segundo ele, toda vez que começava a estabelecer relações sentimentais com alguma mulher, a mãe se ajoelhava a rezar constantemente diante de uma imagem, que tinha no quarto, da “Imaculada Conceição”; e mais cedo ou mais tarde alguma coisa acontecia para romper o relacionamento do filho com a “outra”.

A princípio nós presumimos que esta inusitada consulta era outra das muitas armadilhas que eram preparadas pelos órgãos da vigilância incitada contra nós pela hierarquia católica.

-Por que você está me contando tudo isso? – perguntamo-lhe.

-Não sei. É que o senhor tem um ar de pessoa que pode dar conselhos. Eu conheci outra moça recentemente, muito boa pessoa, ela gosta muito da mamãe, sabe? Mas a mamãe já está rezando….estou com medo de perder esta moça, eu gosto dela. E sabe, eu já não sou mais criança…..

Após algumas perguntas discretas, concluímos que o rapaz estava de boa fé, e fora levado a nos consultar por intuição. O histórico do caso era bastante curioso. Mãe e filho viviam juntos desde a morte do pai, quinze anos atrás, e dormiam na mesma cama. A mãe nunca criticava diretamente as moças que lhe eram apresentadas pelo filho, tratando-as com a máxima cortesia; apenas, sempre que uma nova candidata aparecia, rezava diante da imagem horas a fio todo dia. Mais de uma vez o filho acordara a noite e vira a mãe de joelhos diante da imagem, rezando.

-Eu não sei o que acontece – disse ele. –Eu conheço uma moça, me entusiasmo, apresento ela à mamãe…. Passam alguns dias e meu entusiasmo vai enfraquecendo. Perco a vontade de sair com a moça, perco interesse em vê-la. É sempre assim.

-Seu problema é muito simples – se você quer realmente conservar essa moça, dê um jeito de destruir a imagem diante da qual sua mãe reza.

Ele arregalou os olhos.

-Mas eu não posso fazer isto! Mamãe tem aquela Imaculada Conceição desde o tempo de mocinha, quando era aluna do colégio de freira!

-Se você não destruir a imagem – replicamos – duvido muito que se case algum dia. Sua mãe está usando aquilo como um foco de vontade para manter você preso.

-Mas se a imagem da Imaculada tem esse poder – ele ponderou – não será porque Deus não quer que eu me case?

-Se Deus não quer que você se case, que diferença faz a imagem? Mesmo que seja destruída, você não casará nunca. Mas se, como eu penso, sua mãe está utilizando a imagem para realizar o desejo dela de manter você preso, ela está abusando de um símbolo religioso para fins materiais e egoístas.

-Mas por que ela está fazendo isto? – ele se lamentou.

Há ocasiões em que é necessário sermos diplomáticos.

-Não duvido que ela tenha a melhor das intenções – dissemos. – Você sabe, para as mães nós somos crianças a vida inteira.

– Percebendo que ele ainda hesitava, acrescentamos: -Olhe, a decisão é sua. Eu não vou destruir a imagem para você. Mesmo porque, se eu destruísse a imagem, não adiantaria nada.

O gesto tem que partir do enfeitiçado, ou o feitiço não se quebrará. Novamente ele arregalou os olhos; cremos que a idéia de uma imagem católica poder ser utilizada como feitiço nunca lhe ocorrera. Após um momento, perguntou:

-Como é que eu destruo a imagem?

-Da maneira mais simples. Você tem que inutilizá-la para fins de oração. Quebre-a em pedaços e jogue-a numa lata de lixo. Mas tome cuidado para que a lata de lixo não seja uma que sua mãe tenha acesso; se ela conseguir colar os pedaços da imagem, o feitiço ficará ainda mais forte do que antes.

Dois dias depois ele nos procurou novamente e confiou-nos que retirara a imagem do quarto, quebrara-a em diversos pedaços, e a caminho do trabalho jogara os pedaços num receptáculo de lixo publico.

-E o mais esquisito – cochichou – é que a mãe não disse uma palavra quando entrou no quarto e não viu a imagem!

O namoro desse rapaz com aquela particular moça (sentimos desapontar os nossos leitores mais românticos) não durou, por motivos que explicaremos adiante; mas alguns meses depois da destruição da imagem, a mãe desenvolveu sintomas de câncer e antes do fim do ano faleceu. A corrente de forças, perdendo seu ponto de apoio, repercutira contra ela. Esta é uma possibilidade que sempre existe em casos de vampirismo: que o vampiro, desprovido de sua presa, perca as forças e morra. Não mencionáramos a possibilidade ao nosso consulente porque tínhamos certeza de que não teria destruído a imagem em tal caso.
Mentalidades superficiais ou pessoas de moralidade pouco desenvolvida ponderarão aqui, talvez, que encorajamos um filho a praticar um matricídio mágicko.
Este absolutamente não foi o caso. Se as forças vitais que a mãe estava utilizando para conservar sua vida e energia fossem naturais de seu próprio organismo, a destruição da imagem não teria lhe causado qualquer dano físico. Nenhum ser humano tem o direito de se conservar vivo à custa do prana dos seus semelhantes. Para os iniciados, a morte é uma etapa da vida.

Já mencionamos que o vampirismo é contagioso: o namoro desse rapaz com a moça que o levou a destruir a imagem não continuou porque (conforme pudemos averiguar) ele começou a demonstrar para com ela o mesmo tipo de ciúmes doentio  que a mãe tivera para com ele.

“Dize-me com quem andas, e te direis quem és”, é um desses truísmos que todo mundo repete sem lhes prestar atenção; no entanto é um formidável aviso no que se refere à Magick e ao misticismo. Uma pessoa vampirizada, perdendo sua energia, tende a absorver energia dos outros, e é encorajada a assim fazer pelo próprio vampiro, que deseja aumentar suas fontes de alimentação. Aprendendo os truques do vampiro à custa de sua própria experiência como vítima, ela começa ( na maioria das vezes sem se tornar cônscia do fato) a utilizar as mesmas técnicas que seu algoz. Usando ainda outro truísmo, “a prática leva a perfeição”: em muito  menos tempo do que julgaríamos possível, a vítima se torna outro malfeitor.

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