Toda alma, mais cedo ou mais tarde, se conscientiza da necessidade de evoluir.  Muitas vezes essa “consciência” não é tão consciente assim.  Vem apenas como uma cobrança interna de algo que nem se sabe o quê. Uma insatisfação com tudo que a cerca; nada está bom;  uma sensação de incompleção.

Nesse momento nossos protetores e amigos de jornada do plano espiritual não tardam a colocar oportunidades em nosso caminho.  Porém, é necessário saber que não existe evolução espiritual sem esforço.  Muito esforço!

Para os umbandistas, a idéia que o simples freqüentar um terreiro, incorporar, dar passes e fazer oferendas vai garantir a própria evolução revela-se totalmente equivocada.

Freqüentar um terreiro não é fazer favor a nenhum espírito.  Eles absolutamente não precisam de nós para trabalharem ou evoluírem.  Na verdade, são muito mais eficientes quando não incorporados.  Não aprendem conosco (a não ser sobre nós mesmos), apenas exercitam sua paciência.

Eles, por caridade, nos ajudam oferecendo uma oportunidade de trabalhar que, em muitas vezes, é apenas o primeiro passo para o nosso evoluir consciente.

E mesmo quando se empaca, achando que o simples ato de incorporar é o suficiente, vale lembrar o que diz W.W. da Mata e Silva em seu livro Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda:

Porém, que cada qual se capacite e passe a entender claramente que, com sujeira de corpo, de alma ou de ações, NINGUÉM PODE SER UM VEÍCULO DE FATO E DE DIREITO DE CABOCLO OU PRETO-VELHO!!!”

Ou seja, é totalmente imprescindível promover uma profunda reforma íntima!  E a chave para isso é o estudo.  Não exatamente o estudo em si, pelo simples ato de estudar, mas aprender e principalmente exercitar.  E não estou falando simplesmente de estudar os fundamentos da Umbanda, o que é extremamente importante; é algo além disso…

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Então, dentro dos caminhos da evolução, ouvimos falar da caridade.  Kardec afirma no Evangelho Segundo o Espiritismo, no cap. XV: “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”, afirmação que, com outras palavras, é exaustivamente repetida e exaltada pelos Pretos Velhos.

Pois…estudemos.  Vamos ler, ler e reler sobre caridade até entender que caridade não é dar o que nos sobra aos pobres, mas que todo e qualquer tipo de atenção com nosso semelhante pode ser definido como caridade.  Podemos fazer caridade com os ouvidos.  Ter paciência é fazer caridade. E muito mais… Daí, é só praticar.

Já estou salvo?

Ainda não! Mas evoluiu um pouco.

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Também ouvimos falar sobre a oração e a meditação.  Estudemos!

Rezar um Pai Nosso exercitando toda a mecânica da oração decorada não é rezar.  A oração é um dos modos mais eficientes de nos ligar, imediatamente, às esferas mais elevadas.  Não existe oração que não seja ouvida.  Não existe oração sincera sem resposta.  Mas isso eu aprendi da boca de um Preto Velho, em uma aula.  Aliás, Preto Velho que faz questão que nos reunamos para estudar.

Já a meditação, nos permite alcançar um estado de elevação de consciência onde podemos captar as ondas energéticas do mundo espiritual superior, nos fortalecendo e inspirando.  Também é ferramenta importantíssima ao autoconhecimento, mas disso falarei mais adiante.

Então é só sentar e fechar os olhos e estou meditando?

Pode ser, mas experimente estudar técnicas de respiração (Pranayama)e de postura (Asana) e conseguirá resultados surpreendentes antes de desistir!  Vale lembrar que ao estudar e exercitar essas práticas você não estará “traindo” sua religião.  Trair a religião é deixar que espíritos elevados como Caboclos ou Pretos Velhos percam seu tempo tentando nos ajudar; é ouvir um conselho, virar as costas e fazer exatamente o contrário.  Sempre que estivermos fazendo qualquer prática, mesmo que ditada por alguém fora da Umbanda como Kardec, Buda, Chico Xavier ou Aleister Crowley, que vise nossa elevação espiritual, podemos ter certeza da aprovação de nossos mentores Umbandistas, afinal essa é a meta deles.

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Em algum lugar, lemos sobre a importância de aprender a perdoar para evoluirmos.

O perdão é sem dúvida muito importante.  Ao perdoar nosso semelhante evitamos a triste conexão do carma, livrando-o de ter débitos espirituais conosco que, inevitavelmente seriam resgatados mais tarde. Desligar-se desses vínculos infrutíferos significa desempecilho para a prática do amor e para o progresso espiritual.

Mas…não vamos conseguir perdoar ninguém antes de nos perdoarmos e nos aceitarmos exatamente como somos.  Ocorre que para nos perdoarmos, primeiro precisamos enxergar nossos erros, e não são poucos.

Autoconhecimento.  Vamos nos estudar.

Quem sou eu? Sou a imagem que vejo no espelho ou a que os outros têm de mim?

Tudo o que penso faz parte do “eu”.  Mas, além disso, existem outras esferas do “eu” que não são perceptíveis pelo plano consciente.  Isso significa que eu não sou só o que vejo no espelho (a idéia que faço de mim) somado ao que os outros vêem em mim.  Vai (ou vou) além disso.  Essas outras partes do “eu” inconsciente vão se mostrando, pouco a pouco, com o auxílio da meditação, que auxilia muito o processo do autoconhecimento.  A partir daí, uma das conseqüências é enxergarmos melhor nossas virtudes e defeitos.

Quanto aos nossos defeitos, primeiro temos que entender que erramos e errar é humano, afinal estamos aqui para aprender.  O importante é o arrependimento que, longe de significar apenas um sentimento inferior, deve representar vontade de corrigir.  E isso é o que levará ao amadurecimento do ego:  se enxergo ira exercito paciência; se enxergo gula faço regime; se enxergo luxúria exercito a castidade… e por aí vai.

Aí, não será tão difícil perdoar o próximo.

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Enfim, o caminho é longo mas tenha a certeza que ao nos ver, simplesmente considerando o pouco que está escrito aqui, nossos mentores vão se alegrar constatando que, finalmente, a semente que plantaram em nós começou a brotar.

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Texto baseado na palestra do Pai Joaquim d’Angola em 08/12/2012.