Ogum-Sao_Jorge

Santuário Nacional da Umbanda

A vibração de Ogum reflete a Luta Sagrada; é o Guerreiro de Umbanda, o vencedor de demandas que com sua energia dissipa as correntes oriundas do submundo astral. É o comandante das legiões de Exús que atuam combatendo e frenando as investidas de todos os espíritos que se mantém no mal, nas trevas.

Por outro lado, também é o Pacificador, neutralizando as iniqüidades e os conflitos kármicos, ou seja, nas muitas vezes em que conseguimos, dentro de nosso karma, “não combater” nossos inimigos de outras vidas, tivemos a intervenção de Ogum, nos ajudando a frenar um impulso inconciente que tinhamos e não sabiamos.

Nos homens, seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão e a emoção.

Os 7 Caboclos Principais Representantes da linha de Ogum

 

— OGUM DELÊ

— ROMPE-MATO

— BEIRA-MAR

— DE MALÊ

MEGÊ

— YARA

— MATINATA

A linha dos Baianos

Pouco sabemos sobre como surgem as correntes espirituais, mas podemos observar: Um espírito portador de um mistério vai arregimentando espíritos e vai assentando-os e dando-lhes a oportunidade de trabalhar sob seu comando ou liderança. Então surgem falanges como a dos Caboclos Pena Branca, ou de Pretos Velhos como Pai Joaquim, Pai João, etc.

No espiritismo, por exemplo, o espírito de Bezerra de Menezes iniciou a “corrente médica do espaço” e hoje milhares de espíritos trabalham nos centros espíritas dando consultas e orientações ou realizando operações espirituais. Da mesma forma surgiram as correntes de Boiadeiros, Ciganos, Marinheiros e …Baianos.

Dentro da linha dos Baianos, existem espíritos trabalhando sob todas as irradiações dos orixás. São espíritos alegres, brincalhões, descontraídos e “chegados” a trabalhos de “desmanches”, de kimbanda e de magia, que parecem dominar com facilidade e aos quais estão familiarizados.

São Conselheiros, orientadores, aguerridos e chegados à dança ritual, durante a qual irradiam enquanto giram com seus passos próprios. Suas oferendas devem ser feitas próximas de pés de coqueiros ou nos pontos de forças dos orixás que os regem.

A linha dos Boiadeiros

São Espíritos hiperativos que atuam como refreadores do baixo astral sendo aguerridos, demandadores e rigorosos quando traman com espíritos trevosos. Também trabalham no descarrego e no preparo dos médiuns os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus.

Da mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande.

Seus símbolos são o laço e o chicote que, em verdade, são suas “armas espirituais” sendo verdadeiros mistérios, tal como são as flechas, as espadas e outras “armas” usadas por espíritos que atuam como refreadores das investidas das hordas sombrias formadas por espíritos do sub-mundo astral. É uma linha poderosa e muito numerosa no mundo espiritual e seus caboclos atuam nas sete linhas de umbanda, sendo regidos por Ogum.

No Candomblé

Ogum como personagem histórico, teria sido o filho mais velho de Odùduà, o fundador de Ifé. Seu nome, traduzido para o português, significa luta, batalha, guerra. Em outras lendas é filho de Iemanjá e irmão mais velho de Exu e Oxóssi, tendo grande afinidade por Oxóssi, um amor de irmão verdadeiro, defendendo-o várias vezes de seus inimigos e passando mesmo a morar fora de casa com Oxóssi, quando este foi expulso de casa por Iemanjá. Diz ainda o mito que foi Ogum quem ensinou Oxóssi a defender-se, a caçar e a abrir seus próprios caminhos nas matas onde reina. Ogum teve muitas mulheres, a principal delas Iansã, guerreira como ele. Tendo sido roubada por Xangô, que é seu irmão por parte de mãe, Ogum passou a viver sozinho, para a guerra e a metalurgia.

Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros estados e apossou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, “Rei de Irê”. Já o nome Ogun Mejê teria a sua origem na frase em Yorubá Ogun Mejê Mejê Lodê Iré (Ogun está nas sete partes do Iré”), alusão a sete vilarejos, hoje desaparecidos, que teriam existido em volta de Iré.

Por razões que ignoramos, Ogum nunca teve o direito a usar uma coroa (adé), feita com pequenas contas de vidro e ornada por franjas de missangas, dissimulando o rosto, emblema de realeza para os iorubás. Foi autorizado a usar apenas um simples diadema, chamado àkòró, e isso lhe valeu ser saudado como Ogun Alakorô. Ogum passou vários anos longe de Irê. Certo dia resolveu voltar, mas no dia de sua chegada as pessoas da cidade celebravam uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente durante muito tempo. Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Irê cantavam louvores onde não faltava a menção a Ògúnjajá, que vem da frase ògún je ajá (Ogum come cachorro), o que lhe valeu o nome de Ogunjá. Satisfeito e calmo, Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora, transformando-se em Orixá.

Ogum também é cultuado como Ogum Alagmedé, o ferreiro companheiro de Oyá, como Ogum Ominí e Ogum Wari o irmão de Oxóssi.

Ogum é responsável pelo comando dos Exus das estradas e encruzilhadas, que estão sempre prontos para auxiliá-lo. Em algumas nações é considerado méta-métá ou Ogum Xoroquê um orixá que se manifesta como associado e extremamente afinado com Exu.

O orixá OGUM é um dos mais amados na cultura Iorubá tendo sido o primeiro ferreiro. Como foi ele, também, quem descobriu a fundição e inventou todas as ferramentas que existem considerado o patrono da tecnologia e da própria cultura. Tendo inventado as ferramentas, com a foice ele abriu os primeiros caminhos para o resto do mundo, o que dá a ele o poder de abri-los ou fechá-los. Com a faca ele fez o primeiro sacrifício ritual, por isso sempre se louva Ogum durante estes sacrifícios e sua invenção da faca. Com o ancinho ele arou terras e plantou. Com o machado cortou árvores para construir abrigos, com o martelo pode unir com os pregos que inventou, os troncos. Com a cunha pode levantar grandes pesos e assim aconteceu de Ogum, com a espada que forjou, guerrear e conquistar territórios para seu povo. Ele, no entanto, não quis ser rei, pois preferia os desafios ao poder. Continuou lutando e inventando para sempre.

Características dos filhos de OGUM

Os homens e mulheres que têm Ogum como seu Orixá de cabeça, vão ter comportamentos diferentes, de acordo com os segundos e terceiros Orixás que os influenciam, ajuntós (adjutores). De qualquer forma , terão alguns traços comuns: são conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, conseqüentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina, tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, raramente adoecem. Têm grande capacidade de concentração no objetivo em pauta.

Têm um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, onde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto. Tem um grave conceito de honra, sendo incapaz de perdoar as ofensas sérias de que é vítima. Em termos físicos, o filho de Ogum tende a ser esguio, musculoso e atlético, mas não necessariamente volumoso. Tem grande energia nervosa, que precisa ser descarregada em esportes ou qualquer outro tipo de atividade que implique desgaste físico.

Extremamente impaciente, odeia esperar. É afoito. Tem decisões precipitadas. Inicia tudo sem se preocupar como vai terminar e nem quando. Está sempre em busca do considerado o impossível. Ama o desafio. Não recusa a luta e quanto maior o obstáculo mais desperta a garra para ultrapassá-lo. Como os soldados que conquistavam cidades e depois a largavam para seguir em novas conquistas, os filhos de Ogum perseguem tenazmente um objetivo: quando o atinge, imediatamente o larga e parte em procura de outro. É insaciável em suas próprias conquistas. Uma marca muito forte de seu Orixá, é tornar-se violento repentinamente. Seu gênio é muito forte.

Não admite a injustiça e costuma proteger os mais fracos, assumindo integralmente a situação daquele que quer proteger. Leal e correto, é um líder. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado. Adapta-se facilmente em qualquer lugar. Come para viver, não fazendo questão da qualidade ou paladar da comida. Por ser Ogum o Orixá do Ferro e do Fogo seu filho gosta muito de armas, facas, espadas e das coisas feitas em ferro ou latão. É franco, muitas vezes até com assustadora agressividade. Não faz rodeio para dizer as coisas. Não admite a fraqueza, falsidade e a falta de garra. O ?difícil? É a sua maior tentação.

Saudação: Ogunhê
Ponto de Força: Caminhos, metal
Sincretismo: São Jorge
Data Comemorativa: 23 de Abril
Dia da Semana: Terça-feira
Cor de vela: Vermelha
Colar de contas: Vermelho
Ervas: Peregum, Espada de São Jorge
Flores: Cravos Vermelhos
Oferenda: Feijoada, Inhame
Bebida: Cerveja Clara