Recentemente eu me propus esta pergunta, e o exercício de tentar respondê-la deu nisso…

Começando, a Umbanda é de fato uma religião. E o que é uma religião?

Religião (do latim religare, significando religação com o divino) é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seus próprios valores morais.

Então, religião é um conjunto de sistemas e crenças que visam “religar” o homem a Deus.

Mas como isso é possível? Religar de que forma?

Essa é fácil: Elevação Espiritual!

Então o propósito da Umbanda é nos elevar espiritualmente. Legal.

Mas como efetivamente ela vai nos fazer isso? Fica mais fácil se formos por partes.

Para a pessoa que não nasceu na Umbanda, ou seja, aqueles que migraram de outras religiões, normalmente o primeiro contato se faz através de uma consulta a uma entidade.

Na maioria destes casos, neste primeiro contato se pede ajuda em questões profanas; problemas relacionados ao dia a dia.  Infelizmente é quase raro quem se apresente a um Preto Velho, um Caboclo ou outra entidade pedindo ajuda para se encontrar interiormente.

Mesmo assim, além da ajuda solicitada (desde que seja algo justo e ético) o consulente nunca sai sem receber um passe e algum conselho referente à sua conduta (tenha mais paciência…se acalme…descanse mais…)

Então aí começa o trabalho da Umbanda: o passe e a semente.

O Passe

Explicando de uma forma muito simplória, o passe serve para nos limpar, tanto das energias negativas que obtemos no “varejo” andando invigilantes por aí quanto das que adquirimos no “atacado”, aquelas que nós mesmos geramos em momentos de desequilíbrio.

Limpando nossa aura e descarregando nosso mental  (o que é feito em conjunto com uma boa conversa durante a consulta), o passe de limpeza somado ao de energização nos abre caminho para podermos atingir um nível ligeiramente mais elevado de consciência, pois é mais fácil atingir pensamentos mais elevados quando livres da confusão mental agregada por energias nocivas.

Este procedimento também é parte responsável pela cura de muitas enfermidades que carregamos, aquelas chamadas estigmas.

Então:

  • Nos facilita a elevação mental
  • Nos ajuda a compreender e curar os estigmas

Para saber mais (de uma forma não simplória assim) eu sugiro começar pela leitura no site do Beraldo: http://www.espiritualismo.hostmach.com.br/passes.htm

A Semente

Todos os conselhos que recebemos de uma entidade, por mais simples que possam parecer, devem transcender os limites de nossos ouvidos. Sempre devem ser entendidos como objeto de análise mais profunda.  As entidades sabem perfeitamente nossos defeitos, mas não podem violentar nossas consciências pois sua missão aqui não é julgar ou condenar mas sim ajudar-nos. Então, eles não podem simplesmente colocar um espelho em nossas caras e dizer: “olha aí, cara-pálida” (porém, se for um Exú…é melhor você se preparar, cara-pálida).

Em vez disso nos dão conselhos que, se diretamente não ofendem nossas consciências, vão, de uma forma muito sutil, de encontro às nossas necessidades. Mas para isso, é preciso saber ouvir.

Desta forma começam a plantar sementes em nossas mentes que se encontrarem terreno fértil, nos serão um convite a reflexão e auto-conhecimento.

Então:

  • Nos convida a reflexão

Mas isso é apenas no campo da consulta.  Aos praticantes de fato, a Umbanda reserva outras experiências…

Quando começamos a participar de uma Gira de Umbanda, entramos em  contato com um universo novo, ou melhor, abrimos os olhos para o universo que nos cerca.

A Egrégora

Ser iniciado [1] na Umbanda significa ser aceito na egrégora do terreiro, que por sua vez é ligada a uma série de outras egrégoras. Isso significa um dar e receber energético/mental que é difícil descrever em palavras, mas vou tentar:

Quando uma pessoa que participa de uma egrégora (no nosso caso religiosa) se concentra nela, por exemplo através de uma oração ou participando de um ritual, ela a está alimentando com vibrações espirituais.  Ao alimentá-la, imediatamente passa a receber as vibrações espirituais que aquela egrégora lhe devolve, criando assim uma troca de energia espiritual.  O resultado desta troca energética é sentido instantaneamente, provocando mudanças emocionais, psíquicas e, em alguns casos, verdadeiros milagres!

Para saber mais:

http://www.deldebbio.com.br/2008/12/09/qual-e-o-coletivo-de-pensamentos/

http://www.espiritualidades.com.br/Artigos/L_autores/LOPES_Manoel_tit_As_Egregoras.htm

Então:

  • Nos dá acesso à Egrégora Umbandista

[1] Ser iniciado na Umbanda é um assunto que pode ser tema de debate.  Alguns autores/terreiros fazem essa iniciação ritualisticamente, podendo ser através do batismo, de um cruzamento com pemba, de um ebó na cachoeira, de uma oferenda na mata… Mas na verdade, simplesmente ao entrar em um terreiro qualquer pela primeira vez, nossa atitude mental (de respeito ao lugar sagrado, orações com o coração aberto, boa vontade,etc) já nos liga a essa egrégora.  A repetição deste “ritual” nos fará participantes ativos dela.

Sobre iniciação: http://autoconhecimento.org/2012/06/10/iniciacao/

A devoção

O convívio com as entidades, conversas, passes, trabalho em conjunto, aprendizado, etc, invariavelmente acaba por nos converter em verdadeiros fãs de uma, outra ou todas elas.  O aprendizado e compreensão sobre as irradiações de Deus (Orixás) também nos ajudará a compreender melhor o Criador, nos facilitando assim a cumprir “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mateus 22:37), através da admiração de Sua obra.

Quando gostamos de alguma coisa, quando nos tornamos fãs, desperta-nos uma sede, uma vontade de aprender, de conhecer melhor o objeto de nossa admiração.  Logo, posso dizer que a devoção também é um convite ao estudo e aprendizado, ferramenta importante à elevação moral e auto-conhecimento.

Então:

  • Nos ajuda a compreender a obra do Criador pelas suas irradiações
  • Nos fornece exemplos a serem seguidos através das entidades
  • Nos desperta o desejo de aprender

A Caridade

A Umbanda é “pasto farto” para a prática da caridade. Incorporando, camboneando, cantando, batendo palmas, acendendo uma vela, esclarecendo, apanhando folhas para um banho, abrindo o portão… seja qual for a atividade dentro de um terreiro, sempre estaremos ajudando alguém (inclusive nós mesmos).  Além disso, todas as entidades nos ensinam (cobram) não sermos umbandistas apenas dentro do terreiro, mas 24h por dia.

“Todos os deveres do homem se encontram resumidos na máxima: Fora da caridade não há salvação” (Allan Kardec, Evang. S. Esp., cap.XV, item 5).

Então:

  • Nos propicia a prática da caridade

A Magia de Umbanda

Sim, praticamos magia na Umbanda. Seja participando de um ritual, preparando uma oferenda, invocando um espírito, preparando um banho, etc, estamos praticando magia.

E qual o sentido disso?

Quando esta prática é efetuada com o real interesse de ajudar, de evoluir, de se alinhar à vontade da Providência Divina, ela realmente vai nos provocar modificações interiores necessárias à nossa evolução moral e espiritual.

Então:

  • Nos desperta como seres ativos no universo

Para saber mais:

http://www.deldebbio.com.br/2011/07/09/a-importancia-da-pratica-magica/

https://www.paijoaquim.com.br/?p=1157

Então, de uma forma humilde e simplória, posso concluir que a Umbanda tem o propósito de nos elevar espiritualmente:

  • Facilitando a elevação mental,
  • Ajudando a compreender e curar nossos estigmas,
  • Convidando a reflexão,
  • Dando acesso à Egrégora Umbandista,
  • Ajudando compreender a obra do Criador pelas suas irradiações,
  • Fornecendo exemplos a serem seguidos através das entidades,
  • Despertando o desejo de aprender,
  • Propiciando a prática da caridade e
  • Nos despertando como seres ativos no universo.

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Complemento: Qual o propósito da Umbanda? parte 2