O transporte na Umbanda é um procedimento de desobsessão onde o médium, geralmente através de um toque com a mão, transfere para si o egun (espírito obsessor) que acompanha o paciente incorporando-o momentaneamente.  Trata-se de um ato de caridade, pois além de livrar o paciente de sua obsessão espiritual, durante a incorporação (que deve ser breve), o egun recebe o que se designa como Choque Anímico, que provoca melhora em seu estado de sofrimento, facilitando e incentivando sua disposição em receber ajuda e ser encaminhado. Nesse momento, durante o transporte, é possível uma breve tentativa de doutrinação do egun (obsessor), para que entenda sua situação e siga com os espíritos socorristas.

Divaldo Pereira Franco afirma que a terapia desobsessiva pela doutrinação do obsessor incorporado no médium, independentemente da eficácia da doutrinação propriamente considerada, já traria em curto prazo uma melhoria de 30% a 40% no nível vibratório do obsessor só pelo choque anímico.

Mas, o que é choque anímico?

É a interação semi-material dos fluidos do egun com os fluidos vitais do perispírito do médium.  É benéfico ao espírito obsessor desde que o médium seja uma pessoa de moral elevada, pelo menos em relação ao mesmo.  Na possibilidade de o médium possuir uma moral inferior ao espírito que “transporta“, o espírito vai sair em estado pior do que estava.

Por muitas vezes observamos o espírito se manifestar no início do transporte em estado de total prostração, com choro convulsivo e, em breves instantes, apresentar uma melhora significativa, se acalmando e cessando o choro.  Este é um caso típico do espírito que aceitará a ajuda dos espíritos socorristas e será encaminhado a um pronto socorro no plano espiritual.

Porém, em outras oportunidades, observamos espíritos que se apresentam revoltados, enfurecidos, que demonstram possuir má intenção com relação ao paciente.  Não aceitam a doutrinação e, em geral, os médiuns (incorporados) tem que controlar seus movimentos para manter o espírito dominado no chão.  Esses espíritos não aceitam a ajuda do plano espiritual e são encaminhados às zonas de vibração inferior equivalentes a sua vibração pelos próprios Exús.  Mesmo esses espíritos recebem a caridade do choque anímico com a diferença de, no desligamento final do corpo do médium, aparentam estar sofrendo uma convulsão. Esta aparente convulsão também é efeito do choque anímico que, nesse momento, serve para a desvinculação perispiritual entre o espírito desencarnado e o espírito do médium.  Este processo é descrito pelo Doutor Bezerra de Menezes no capítulo “Técnicas de Libertação”  do livro Loucura e Obsessão de Divaldo Franco / Manoel Philomeno de Miranda.

De qualquer forma, o médium que acabou de efetuar o transporte sai desgastado da operação pois cedeu parte de suas energias ao espírito obsessor.  Merecidamente recebe assistência imediata do plano espiritual.