Umbanda, quem és?

Quem sou?

Difícil determinar…

Sou a fuga para alguns, a coragem para outros!

Sou o tambor que ecoa nos terreiros, trazendo o som das selvas e das senzalas…

Sou o cântico que chama ao convívio seres de outros planos. 

Sou a senzala do Preto Velho, a ocara do Bugre, a cerimônia do Pajé, a encruzilhada de Exu, o jardim da Ibejada, o yoga do Indu e o Orun  dos Orixás. 

Sou o café amargo e o cachimbo do Preto Velho, o charuto do Caboclo e do Exu; o cigarro da Pomba-Gira e o doce do Ibeji.

Sou gargalhada da Rosa Caveira, o requebro da Maria Padilha, a seriedade do Seu Marabô. 

Sou o sorriso e a meiguice de Maria Conga e de Pai José, a traquinagem de Mariazinha, Risotinho e Joãozinho, a sabedoria do Caboclo Tupinambá. 

Sou o fluído que se desprende das mãos do médium levando a saúde e a paz. 

Sou o isolamento dos orientais onde o mantra se mistura ao perfume suave do incenso.

Sou o Templo dos sinceros e o teatro dos atores. 

Sou livre. Não tenho Papas.

Sou determinada e forte. 

Minhas forças?

Elas estão no homem que sofre, que clama por piedade, por amor, por caridade…

Minhas forças estão nas entidades espirituais que me utilizam para o seu crescimento. 

Estão nos elementos… Na água, na terra, no fogo, no ar…

Na pemba, na cuia, na mandala do ponto riscado. 

Estão finalmente, na tua crença, na tua Fé, que é o elemento mais importante na minha alquimia. 

Minhas forças estão em ti, no teu interior, lá no fundo…

Na última partícula da tua mente, onde te ligas ao Criador. 

Quem sou?

Sou a humildade, mas cresço quando combatida…

Sou a prece, a magia, o ensinamento milenar…

Sou cultura, sou mistério, sou segredo, sou amor, sou a esperança!

Sou a cura.

Sou de ti. 

Sou de Deus.

Sou Umbanda. Só isso…

Sou Umbanda.


Texto: Elcyr Barbosa – Narração: Átila Nunes Filho