MANIFESTAÇÃO MEDIÚNICA – AS VÁRIAS FASES DO FENÔMENO

Em todo tipo de fenômeno mediúnico ocorrem certas fases que podemos considerar como fundamentais e, dependendo da categoria do fenômeno, acontecem particularidades que lhe são próprias. Seja o fenômeno mediúnico de efeitos inteligentes, psicografia ou psicofonia, seja consciente ou inconsciente, mecânico ou intuitivo, sempre ocorrem fases que podem ser esquematicamente assim estudadas:

— FASE DE AFINIDADE FLUÍDICA E ESPIRITUAL

Antes de ocorrer um fenômeno, é o médium sondado psiquicamente para avaliar a sua capacidade vibratória, em obediência a lei da combinação fluídica. No caso em que a entidade passe a se comunicar com freqüência, surge a afinidade espiritual, que depende da posição evolutiva do espírito comunicante, e a do médium. Às vezes, dependendo do tipo de atividade mediúnica, o espírito do médium, em desdobramento natural durante o sono, dias antes do trabalho mediúnico, é levado pelos mentores espirituais a tomar contato com a entidade que deverá receber mediunicamente, para evitar choques inesperados durante a reunião, o que poderia ocasionar desequilíbrio vibratório momentâneo ou demorado, impedindo-o de alcançar os objetivos desejados. Isso ocorre com freqüência com médiuns que colaboram nos trabalhos de desobsessão.

— FASE DE APROXIMAÇÃO DA ENTIDADE

É a seqüência natural da fase anterior, só que ocorre no recinto do trabalho mediúnico como preparação do médium para a tarefa. Pode ocorrer que antes da sessão o médium sinta a influencia espiritual, mas deverá controlar-se para evitar o transe fora de ocasião oportuna, que é a do trabalho propriamente dito. Geralmente sentirá os fluidos próprios da entidade, cabendo-lhe o trabalho de analisá-los e, conforme conhecimento anterior absorve-lo ou rechaça-los.

— FASE DA ACEITABILIDADE DO ESPÍRITO COMUNICANTE PELO MÉDIUM

Ativamente o médium começa a vibrar, procurando se afinizar melhor com a mente do Espírito desencarnado. Manter-se-á calmo, confiante e seguro, certo de que nada de mau lhe acontecerá porque o equilíbrio do grupo é uma segurança. Sentirá os seus pensamentos serem dirigidos por uma força estranha e aos poucos terá vontade de falar ou de escrever, ou apenas ficará na expectativa de novas associações mentais; poderá se sentir diferente, como se fosse outra pessoa, ver mentalmente outros lugares, ter sensações diferentes que viverão com maior ou menor intensidade.

— FASE DE INCORPORAÇÃO MEDIÚNICA

É falsa a idéia de que o desencarnado para se comunicar entra no corpo do médium. O que ocorre são assimilação de correntes fluídicas e mentais numa associação perfeita, denominada de sintonia vibratória. Os centros cerebrais do perispírito e os do corpo do médium são estimulados pelas forças fluídicas e mentais da entidade comunicante e quando há associação, ocorrendo então o fenômeno da “incorporação”. O médium incorpora as idéias, vivencias e sentimentos da entidade comunicante e os transmite conforme a faculdade que possui (intuição, psicofonia, etc.). É natural que nessa fase o médium se sinta diferente, com sensações anormais, sudorese, amortecimentos, respiração ofegante, tremores, nervosismo, etc. O controle das reações orgânicas deverá surgir graças a confiança e a serenidade alcançadas com um bom treinamento mediúnico.

ENVOLVIMENTO MEDIÚNICO

No fenômeno mediúnico da chamada incorporação o que ocorre é um verdadeiro envolvimento mediúnico, que significa um entrosamento das correntes vibratórias próprias do médium, emanadas de suas criações mentais e espirituais com as do Espírito comunicante.

Sabemos que os nossos órgãos dos sentidos como ouvidos, olhos, etc., estão condicionados pela natureza, a fim de perceberem as vibrações dentro de um certo limite. Assim é que o nosso ouvido não percebe as vibrações que estejam abaixo ou acima do seu limite normal, bem como a nossa vista não chega a perceber os raios cujo comprimento de onda está acima ou abaixo da nossa faixa de normalidade.

No caso da mediunidade, o médium se coloca durante o transe em condições favoráveis de percepção mais nítida do mundo espiritual que nos rodeia; por haver uma exteriorização do perispírito, fundamento de todo o fenômeno mediúnico, este passa a vibrar em regime de maior liberdade, deixando-se influenciar pelo campo vibratório de entidades desencarnadas. Estas por sua vez, livres do corpo denso de carne se situam em plano vibratório diferente do perceptível normalmente pelos encarnados, somente podendo se fazer sentidas e se comunicarem conosco quando encontram médiuns que vibram dentro da mesma faixa em que se encontram. Havendo uma perfeita correspondência entre o clima vibratório da entidade desencarnada e o do médium, estamos diante de um fenômeno chamado envolvimento mediúnico, em que a pessoa encarnada passa a sentir a presença do Espírito desencarnado, podendo perceber-lhe as sensações, as emoções, as intenções, os pensamentos e transmiti-los de acordo com a sua livre vontade, deixando ou não se envolver por essa nova personalidade. É aqui que reside o ponto nevrálgico da questão: ou de nos deixarmos arrastar pura e simplesmente, ou de reagirmos, tentando impor nossa vontade. Se agirmos como na primeira hipótese, corremos o risco de sermos obsediados facilmente; se agirmos como na segunda, podemos passar uma vida inteira sem desenvolvermos a faculdade, dominados pelo receio de servirmos de instrumentos às entidades desencarnadas. Como se vê, a educação mediúnica, através do conhecimento e das praticas ordenadas, exige um comportamento eqüidistante das duas situações, e ensina o médium a se manter em posição de equilíbrio e vigilância sem que esta se transforme em refratariedade. Tendo então condições de controlar o fenômeno, isto é, saber quando e como uma mensagem é conveniente ou causadora de confusão e mal-estar; ter o bom senso de analisar o que vai filtrar ou o que está filtrando.

Os Espíritos superiores baixam o seu teor vibratório, aproximando-o do nosso, envolvendo-se com os fluidos grosseiros de nosso ambiente, tornando-se assim mais acessíveis; o médium em transe, por sua vez, se eleva através do preparo antecipado e da disciplinação dos recursos mediúnicos, podendo, então, dar-se a interação entre os dois psiquismos – o do desencarnado e o do médium, criando-se a condição para a comunicação. Uma baixa e o outro sobe vibratoriamente podendo dar-se a comunicação.

O caso contrário também pode acontecer. Médiuns com boa capacidade vibratória poderão baixar suas vibrações para servirem de instrumentos a entidades inferiores, a fim de que estas sejam esclarecidas e orientadas. Uma vez terminada a tarefa o médium retornará ao seu padrão vibratório normal não lhe ficando sensações desagradáveis próprias do Espírito comunicante, mas sim o bem-estar de ter cumprido o seu dever cristão.

— Do Papel dos Médiuns nas Comunicações Espíritas

Existem dois aspectos que são fundamentais para a compreensão do papel dos médiuns nas comunicações espíritas:

– A faculdade mediúnica é um dom inerente a todos os seres humanos, tanto quanto a faculdade de respirar o é. O espírito encarnado une-se ao corpo molécula a molécula, através do perispírito, que é a forma do organismo, constituindo um todo indivisível. Disto resulta uma interação psico-fisiológica, isto é um conjunto de ações e reações recíprocas entre a alma (ser pensante e encarnado) e o corpo (veículo de manifestação daquela). Assim, se a alma se manifesta através do organismo, age e reage por meio deste, podemos concluir que a faculdade mediúnica tem raízes orgânicas e é acionada pela alma (ser inteligente).

– Um espírito ao comunicar-se com o médium o faz por intermédio da combinação de fluidos perispiríticos dos dois seres (espírito e médium), formando como que uma atmosfera fluídico espiritual comum às duas individualidades, e é justamente essa atmosfera comum que torna possível, ou favorece a transmissão do pensamento, que se faz assim de espírito (ser desencarnado) para a alma (ser encarnado) e, esta, pela ação que exerce sobre o corpo, exterioriza o conteúdo desse pensamento pelos diferentes tipos de faculdades mediúnicas. (psicografia, psicofonia, etc.) A formação dessa atmosfera depende de dois elementos essenciais:

– A afinidade fluídica entre o Médium e o Espírito;

– A sintonia do pensamento (sintonia vibratória ou assimilação da corrente mental).

Esses aspectos acima colocados, aplicam-se a quase todos os tipos de faculdades mediúnicas e a qualquer grau de passividade do médium (consciente, semiconsciente ou inconsciente). Esse nível de consciência do fenômeno é apenas uma questão de aptidão própria de cada médium e da forma de manifestação e não da essência do fenômeno, que se processa sempre obedecendo ao mecanismo acima descrito. Conclui-se, pois, que a alma do médium sempre participa do fenômeno da comunicação, ou seja, o médium é o veículo e o filtro do pensamento do espírito.

“Para que um Espírito possa comunicar-se, preciso é, que haja entre ele e o médium relações fluídicas, que nem sempre se estabelecem instantaneamente. Só a medida que a faculdade se desenvolve, é que o médium adquire pouco a pouco a aptidão necessária para pôr-se em comunicação com o Espírito que se apresente. Pode dar-se, pois, que aquele que o médium deseje comunicar-se, não esteja em condições propícias a fazê-lo, embora se ache presente, como também pode acontecer que não tenha possibilidade, nem permissão para acudir ao chamado que lhe é dirigido. Daí a razão pela qual ninguém deva teimar em chamar determinado Espírito, “pois amiúde sucede não ser com esse que as relações fluídicas se estabelecem mais facilmente, por maior que seja a simpatia que lhe vote o encarnado. Antes, pois, de pensar em obter comunicações de tais ou tal Espírito, importa que o aspirante leve a efeito o desenvolvimento de sua faculdade, para o que deve fazer um apelo geral e dirigir-se principalmente ao seu anjo guardião.

As condições mais importantes que devem ser observadas no desenvolvimento de uma faculdade mediúnica são: “a calma e o recolhimento, juntas ao desejo ardente e a firme vontade de conseguir-se o intuito.

Por vontade, não entendemos aqui uma vontade efêmera, que age com intermitências e que outras preocupações interrompem a cada momento; mas, uma vontade séria, perseverante, contínua, sem impaciência, sem febricitação. A solidão, o silêncio e o afastamento de tudo o que possa ser causa de distração favorecem o recolhimento” (concentração). O exercício com regularidade, assíduo, e sério é fundamental no desenvolvimento mediúnico.

O desenvolvimento mediúnico dentro de um grupo organizado para tal fim, apresenta uma série de condições favoráveis.”Os que se reúnem com um intento comum formam um todo coletivo, cuja força e sensibilidade se encontrem acrescidas por uma espécie de influência magnética”, que satura o ambiente de fluidos propícios e, “entre os Espíritos, atraídos por esse concurso de vontades, estarão, provavelmente, alguns que descobrirão nos assistentes o instrumento que lhes convenha”.

“No médium aprendiz, a fé não é a condição rigorosa; sem dúvida lhe secunda os esforços, mas não é indispensável; a pureza de intenção, o desejo e a boa-vontade bastam. Têm-se visto pessoas inteiramente incrédulas ficarem espantadas de escrever a seu mau grado, enquanto que crentes sinceros não o conseguem, o que prova que esta faculdade se prende a uma disposição orgânica.

“O escolho com que topo a maioria dos principiantes é o de terem de haver-se com Espíritos inferiores (veja a Escala Espírita em “O livro dos Espíritos”) e devem dar-se por felizes quando não são Espíritos levianos. Toda atenção precisam pôr, em que tais Espíritos não assumam predomínio, porquanto, em acontecendo isso, nem sempre lhes será fácil desembaraçar-se deles. É ponto esse de tal modo capital, sobretudo em começo, que, não sendo tomadas às precauções necessárias, podem perder-se os frutos das mais belas faculdades”.

“A primeira condição é colocar-se o médium, com fé sincera, sob proteção de Deus e solicitar a assistência de seu anjo de guarda, que é sempre bom… A segunda condição é aplicar-se, com meticuloso cuidado, a reconhecer, por todos os indícios que a experiência faculta, de que natureza são os primeiros Espíritos que se comunicam e dos quais manda a prudência sempre se desconfie. Se forem suspeitos esses indícios, dirigir fervoroso apelo ao seu anjo de guarda e repelir, com todas as forças, o mau Espírito, provando-lhe que não conseguirá enganar… Por isso é que indispensável se faz o estudo prévio de teoria, para todo aquele que queira evitar os inconvenientes peculiares à experiência”.

“Se é importante não cair o médium, sem o querer, na dependência dos maus Espíritos, ainda mais importante é que não caia por espontânea vontade. Preciso, pois, se torna que imoderado desejo de ser médium não o leve a considerar indiferente dirigir-se ao primeiro que apareça, salvo para mais tarde se livrar dele, caso não convenha, por isso que ninguém pedirá impunemente, seja para o que for, a assistência de um mau Espírito, o qual pode fazer que o imprudente lhe pague caro os serviços”.

O médium, mesmo com a faculdade desenvolvida, jamais poderá “crer-se” dispensado de qualquer instrução mais, porquanto apenas terá vencido uma resistência material. Do ponto a que chegou é que começam as verdadeiras dificuldades, é que ele mais do que nunca precisa dos conselhos da prudência e da experiência, se não quiser cair nas mil armadilhas que lhe vão ser preparadas. Se pretender muito cedo voar com suas próprias asas, não tardará em ser vítima de Espíritos mentirosos, que não se descuidarão de lhe explorar a presunção “.

“Uma vez desenvolvida a faculdade, é essencial que o médium não abuse dela… Devem (os iniciantes) lembrar-se de que ela lhes foi dada para o bem e não para satisfação de vã curiosidade. Convém, portanto, que só se utilizem dela nas ocasiões oportunas e não a todo o momento. Não lhes estando os Espíritos ao dispor a toda hora, correm o risco de serem enganados por mistificadores. Bom é que, para evitarem esse mal, adotem o sistema de só trabalhar em dias e horas determinados, porque assim se entregarão ao trabalho em condições de maior recolhimento e os Espíritos que os queiram auxiliar, estando prevenidos, se disporão a prestar esse auxilio.

— Processo de Desenvolvimento Mediúnico Espírita-Cristão

Allan Kardec define como ESPIRITA CRISTÃO, ou verdadeiros Espíritas, aqueles que não se contentam com admirar a moral espírita, que a praticam e lhe aceitam todas as conseqüências. Aproveitam todos os breves instantes da vida terrena para avançar pela senda do progresso, esforçando-se por fazer o bem e coibir seus maus pensamentos. A caridade é tudo, a regra de proceder a que obedecem. ( O Livro dos Médiuns, 1a. Parte, capítulo III, item 28).

Sob o ponto de vista espírita a mediunidade é uma iniciação religiosa das mais sérias; é um mandato que nos é outorgado pela Espiritualidade superior, a fim de ser fielmente desempenhado. Dessa forma, o aspirante à mediunidade, à luz da Doutrina Espírita, deve partir da conscientização de seus ensinamentos e esforçar-se desde o início de sua formação e informação mediúnica, por ser um ESPIRITA CRISTÃO.

— Fundamentos para o Desenvolvimento Mediúnico

O desenvolvimento mediúnico deve fundamentar-se nos processos que se seguem:

– O culto do Evangelho no Lar

“É a renovação do clima espiritual do lar sob as luzes do Evangelho Redivivo, porque o lar é a usina maior das energias de que somos carentes para o nosso trânsito terreno e é onde compensamos nossas vibrações psíquicas em reajustamento… Evangeliza os Espíritos, nossos desafetos que se julguem conosco em todas as nossas atividades cotidianas”.

Para o culto, as providências são simples

– Um volume de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”;

– Um dia certo por semana;

– Um cômodo onde todos os familiares se reúnem.

Sua realização também é singela:

– Inicia-se por uma prece, preferentemente uma oração feita de improviso por um dos presentes, por ser mais afetivo;

– Abre-se o livro ao chamado acaso;

– Leitura em voz alta do trecho aberto;

– Comentários sobre o mesmo pelos presentes;

– Encerramento com uma prece de agradecimento pela orientação noturna, podendo alongar-se os comentários, depois, sobre a lição, enquanto houver interesse e for oportuno. Evitar no culto, qualquer manifestação que o confunda com sessão mediúnica.

– O culto da Assistência

“Rompimento com o egoísmo, compelindo-nos a interessar-nos pelo próximo, auxiliando-o nos seus lances expiatórios, probatórios ou missionários, até o limite de nossa capacidade de servir” (grupo de costura, socorro fluídico pelo passe, visita aos enfermos, amparo aos órfãos, cooperação com as obras de assistência, conforto moral aos desesperados, etc).

– Reforma Íntima

“Revisão e reconstrução dos hábitos, permutando os vícios por virtudes legitimamente cristãs que são as únicas que sobreviverão eternamente e que nos abrirão as portas de Planos mais elevados que os atuais”.

– Templo Espírita

“Aniquilamento do orgulho, levando-nos a viver em circunstâncias e agrupamentos humanos que nos permitirão o exercício da humildade legítima, entrosando-nos em trabalhos de equipe com esquecimento de nós mesmos. Evitemos as sessões espíritas nos lares. A organização espiritual não se improvisa”. O ambiente do Centro Espírita esta em permanente ação e é formado como um posto de socorro diverso, sob a orientação e desempenho dos bons Espíritos.

– Estudo Coletivo

“Reunidos semanalmente aos companheiros, evitaremos, no compulsar os livros doutrinários, de emprestar-lhes o colorido de nossas paixões e preferências particulares e, apesar de sua suficiente clareza, evitaremos emprestar-lhes interpretações laterais ou desvirtuadas”.

Dentro destes critérios de desenvolvimento da mediunidade, mesmo que nenhuma faculdade venha a desabrochar, tenhamos a certeza que estaremos desenvolvendo-nos espiritualmente e capacitando-nos para a verdadeira mediunidade com Jesus – a Mediunidade do Bem.

— Reação dos Médiuns diante dos estímulos transmitidos pelos Espíritos

Na comunicação mediúnica, o espírito do médium funciona como um intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para falar ou escrever: Assim, como numa comunicação à grande distância faz-se necessária a utilização de um fio elétrico e, na extremidade do fio uma pessoa inteligente que receba e transmita a mensagem, na comunicação mediúnica faz-se necessário que o espírito do médium funcione como esse fio ligando esses dois mundos – o material e o espiritual.

Daí se depreende (verbo depreender – v. tr. dir. e tr. dir. e ind. Perceber, vir ao conhecimento de; inferir, deduzir. (Do lat. deprehendere.) que o espírito do médium exerce influência patente sobre as comunicações que transmite, podendo, inclusive, ao assimilar as idéias do espírito comunicante, alterá-las conforme suas tendências, sendo, nesse caso, um mau intérprete. Por essa razão os espíritos procuram normalmente os intérpretes que mais se afinizam com eles para que a comunicação seja o mais fiel e autêntica possível.

Dizemos que um médium é passivo, quando não mistura as suas idéias com as do espírito comunicante e não porque deixa de participar do fenômeno, ou seja, ele sempre será um filtro para as idéias do espírito comunicante, mesmo quando considerado médium inconsciente.

– Fraudes – Conceito e Classificação

A significação do termo é: burla, logro, engano; pressupõe uma atitude pensada previamente com a finalidade de fazer parecer verdadeira uma coisa que é falsa.

Os que não admitem os fenômenos espíritas tendo como causa uma inteligência invisível, ou melhor, um espírito desencarnado, atribuem-lhe como causa a fraude. Mas, há que se considerar, que ninguém iria falsificar uma coisa que não existisse realmente. E ninguém frauda sem uma intenção de ganho, seja monetário, seja pessoal, etc.

 

As fraudes podem ser classificadas em dois grandes grupos:

– Fraudes conscientes ou volitivas: aquelas que são de responsabilidade e conhecimento do médium, o qual simula um fenômeno com fins escusos.

– Fraudes inconscientes: são simulações provocadas e dirigidas pela ação das mentes de espíritos desencarnados (obsessores) ou de encarnados (assistentes, experimentadores e médiuns). De qualquer forma, porém, o médium tem parte da responsabilidade porque se deixa trair por influências negativas.

Podemos considerar que as Fraudes conscientes podem ser produzidas por:

– Falsos médiuns: os que visam lucros financeiros; tais como: prestidigitadores e espertalhões que exploram a ignorância daqueles que os procuram.

– Verdadeiros médiuns: os que possuem a faculdade mediúnica, desconhecem a nobreza do mandato que lhe foi outorgado e não trepidam em “ajudar” a realização dos fenômenos, quando os Espíritos não comparecem ou estão demorando a agir.

As fraudes dizem respeito mais aos fenômenos físicos como materialização, transporte, etc. Porém o conhecimento do Espiritismo que explica com detalhes a mecânica dos fenômenos mediúnicos é a melhor defesa contra a fraude.

Em resumo, a melhor garantia contra a fraude está na moralidade dos médiuns e na ausência de todas as causas de interesse material ou de amor-próprio.

– Mistificações – Conceito e Classificação

Mistificar significa enganar; é o ato de embair, burlar da credulidade de alguém; ludibriar.

Podemos enquadrar as mistificações dentro de dois grupos:

– Mistificações conscientes: aquelas em que o médium é responsável pelo fenômeno; a comunicação é de sua própria criação, podendo haver é claro, associação com espíritos gozadores que o inspirarão para que desempenhe melhor ainda o papel de “bufão” (sm. V. Bufo1: sm. 1. Ação de bufar. 2. Som que se produz bufando. Bufo2: Ator encarregado de fazer rir o público com mímicas, esgares, etc; bufão, truão).

– Mistificações inconscientes: aquelas em que o médium é dirigido pelo próprio inconsciente ou por entidades malévolas que o colocam em situação até ridícula. São mensagens absurdas, mentirosas, vazias de conteúdo e de ensino moral; trazem a assinatura de nomes famosos ou de espíritos elevados, como André Luiz, Emmanuel, Bezerra de Menezes, Joanna de Angelis, etc.

As mistificações geralmente ocorrem nos fenômenos de natureza inteligente (psicofonia e psicografia). Obs: As fraudes dizem respeito mais aos fenômenos físicos, e as mistificações mais aos fenômenos inteligentes.

O papel dos Espíritos não consiste em nos informar sobre as coisas deste mundo, mas nos guiar com segurança no que possa ser útil para o outro mundo.

A astúcia dos Espíritos mistificadores ultrapassa às vezes tudo o que se possa imaginar. Os meios que eles utilizam com mais freqüência são os que têm por fim a cobiça, como a revelação de tesouros ocultos e o anúncio de heranças. Devemos ainda tomar cuidado com as predições com épocas determinadas e nunca se deixar deslumbrar pelos nomes de pessoas famosas e de Espíritos elevados, desconfiando ainda das teorias e sistemas científicos ousados, etc.

— Abusos no Exercício da Mediunidade

As características dos que abusam do exercício mediúnico são:

– Acreditar-se privilegiado por possuir a faculdade.

– Não atender às solicitações de estudo da Doutrina Espírita, achando-se que o guia espiritual ensina tudo.

– Não ter horário para trabalhar mediunicamente, entregando-se à prática a qualquer hora, ocasião e local.

– Fazer trabalhos mediúnicos habitualmente em casa domiciliar.

– Cobrar monetária ou moralmente pelos bens que eventualmente possa obter pela faculdade mediúnica.

– Assim, quem age dessa forma, mais cedo ou mais tarde, ver-se-á em situação lamentável.

— Perigos e Inconvenientes da Mediunidade

Não se pode negar que o Espiritismo, na sua parte prática, realmente oferece perigo aos imprudentes que, sem estudo e sem preparo, sem método adequado e sem proteção eficaz, se lançam a aventuras experimentais por passatempo ou frívola diversão, atraindo para si elementos inferiores do mundo invisível cuja influência maléfica fatalmente sofrerão.

No entanto, estes perigos, são por demais exagerados pelos detratores (v.t. Bras. V. detrair. – Detrair v.t. Dizer mal de; difamar, detratar (bras) da Doutrina Espírita, a fim de desestimular a aproximação do homem da fonte capaz de matar-lhe a sede de conhecimento acerca de seu destino futuro, terreno este que foi monopolizado pelas religiões tradicionalistas, as quais não suportam o mais leve exame da lógica e da razão.

Nenhum progresso, nenhum avanço, nenhuma descoberta se alcança sem esforço, sem sacrifícios e sem riscos. É injusto, porém, ressaltar os perigos da mediunidade sem assinalar os extraordinários benefícios que propicia, entre os quais a comprovação da imortalidade da alma.

Os riscos se empregam nas seguintes condições:

– Para os que se lançam à experimentação por espírito de curiosidade e de frívola diversão.

– Aos que fazem mal uso da mediunidade que pode trazer conseqüências desagradáveis, inclusive o perigo da obsessão.

– Aos que desconhecem as leis psíquicas que regem os fenômenos mediúnicos expondo-se mais aos perigos.

– Àqueles que atraem Espíritos inferiores com seu “hálito mental”, pois este é resultante dos nossos sentimentos, pensamentos e ações, e através dele atraímos Espíritos de natureza mais ou menos elevada.

Deve-se ressaltar ainda que:

– A faculdade mediúnica não causa a loucura. Mentes com predisposição, que fatalmente se desequilibrariam por qualquer motivo, devem evitar a prática mediúnica.

– Nas crianças a mediunidade pode ser espontânea ou natural, mas mesmo nesse caso, deve-se evitar qualquer estimulação, devido aos prejuízos que poderá trazer à frágil mente infantil.

– O médium é um ser nervoso, sensível, impressionável; tem de sentir-se envolto numa atmosfera de calma, de paz e benevolência, que só a presença dos Espíritos adiantados pode criar.

– Serão benéficos, todo conhecimento adquirido pelo estudo e todo esforço realizado pelo aperfeiçoamento moral, sendo isso, o cumprimento dos nossos deveres perante a mediunidade.

– A precaução que se deve tomar é a de viver de acordo com os ensinos morais do Evangelho de Jesus.

— Perda e suspensão da faculdade mediúnica

Todas as criaturas possuem a faculdade mediúnica, em maior ou menor grau, todavia, considera-se médium aquele que traz consigo uma tarefa a desempenhar no campo da mediunidade.

A mediunidade qualquer que ela seja deve ser encarada como uma missão que Deus oferece à criatura. Os que empregam a sua faculdade de modo errôneo ou de má vontade, são médiuns imperfeitos que desconhecem o valor da graça que receberam.

A mediunidade não e um privilégio, por isso, geralmente, os que mais necessitam são os que a possuem. Ela é concedida porque precisamos dela para nos melhorar, para ficarmos em condições de recebermos bons ensinamentos.

A suspensão da mediunidade é motivada por três causas:

– Advertência: Objetiva provar ao médium que ele é um simples instrumento e que sem o concurso dos Espíritos nada faria. Geralmente ocorre quando o médium não está correspondendo às instruções dos Espíritos Superiores do ponto de vista moral e doutrinário.

– Benevolência: Ocorre como um verdadeiro benefício ao médium por que evita que ele, quando debilitado por doença física, fique a mercê das entidades inferiores. Assim que volte ao seu estado normal e possa exercitá-la com eficiência a mediunidade retornará. Sendo assim, a interrupção da faculdade nem sempre é uma punição porque demonstra a afeição e solicitude do Espírito para com o médium.

– Provação: O objetivo é o de desenvolver a paciência, a resignação e forçar o médium a meditar sobre o conteúdo das comunicações recebidas. Deve-se notar que a finalidade das comunicações é a de instruir as criaturas humanas de como devem se comportar na vida, a fim de evitar os percalços e deles saber tirar o bom resultado quando são inevitáveis.

No caso de não mais funcionar a faculdade mediúnica, não significa que o médium encerrou sua missão, porque toda missão encerrada com sucesso é prenuncio para nova tarefa.

— Concentração

Concentração é a arte de fixar a consciência numa idéia, numa imagem que se alonga em nossa área mental. A concentração é um ato mental. É a convergência de pensamentos para um determinado fim. A convergência pressupõe a eliminação de todos os pensamentos que não sejam convenientes aos fins desejados.

— A Relaxação

A relaxação deverá ser completa: muscular e psíquica.

Durante a reunião, manter-se relaxado, respirar calmamente, tomar na cadeira uma posição cômoda, solta, evitando contrair os músculos, para facilitar um bem estar físico.

— Abstração

A abstração quer dizer desligamento dos problemas outros que não digam respeito às finalidades da sessão; problemas domésticos, profissionais, particulares, etc.

A relaxação proporcionando um bem estar fisiológico e a abstração evitando tensões psíquicas, dão condições para que o indivíduo possa focalizar seu pensamento em objetivos elevados.

— Elevação

Pensar no bem, no amor, na caridade, nas virtudes que exornam o caráter do verdadeiro cristão.

O resultado da reunião depende da concentração e da elevação com que é feita.

— Manutenção Vibratória

Conseguida a concentração após um preparo adequado pôr parte de todos os componentes do grupo, é necessário manter-se o ambiente saturados de elementos fluídicos favorecedores do intercâmbio com o plano espiritual.

Mentalmente, envolver a todos em pensamentos agradáveis, desejando-lhes o melhor que se possa dar, como se a nossa mente estivesse emitindo forças e palavras de conforto e esclarecimento.

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Bibliografia:

Intercâmbio Mediúnico – Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito João Cléofas.

O Livro dos Médiuns – Allan Kardec;

Missionários da Luz – Francisco Candido Xavier;

Desenvolvimento Mediúnico – Roque Jacinto.