Recentemente coloquei um post sobre os perigos da nossa atitude mental, inclusive com os conselhos do Pai Joaquim sobre não vibrarmos raiva nem aos nossos inimigos.  A filosofia “a melhor defesa é o ataque” pode até funcionar bem numa partida de futebol, mas em nossas vidas sempre apresenta resultados negativos, quando não catastróficos.  Jamais uma contenda vai resultar algo positivo. Sempre haverá apenas prejuízo de ambas as partes.

Mas a questão é o “atacar”, ou melhor, não contra-atacar.

Ontem, estava lendo algumas curiosidades sobre o filme Senhor dos Anéis quando me deparei com o seguinte trecho:

“A Weta Digital, companhia responsável pelos efeitos especiais do filme, criou um programa de inteligência artificial chamado MASSIVE. Ele foi utilizado para a criação dos exércitos das grandiosas batalhas da história. Este programa tinha a função de permitir a cada um dos soldados (orcs, humanos ou elfos) “pensarem” por si próprios e lutarem independentemente. Isso só se tornou possível graças ao campo de visão individual com que cada um foi dotado, permitindo, inclusive, que os animadores vissem toda a ação pelos olhos de qualquer soldado nos campos de batalha. Segundo os especialistas da Weta, alguns soldados possuíam, até mesmo, estilos de luta únicos.

– Ainda sobre o MASSIVE, os criadores do programa relatam que, na primeira vez em que o programa foi executado, todos os soldados foram programados para lutar da forma mais eficiente possível. Resultado: todos se viraram e fugiram. Os programadores brincam que esses eram os soldados mais espertos.”

Após ler o último parágrafo, me toquei de imediato e fiquei rindo sozinho uns 5 minutos.

Pois é… O mais eficiente, segundo o ponto de vista da lógica (ainda que digital) foi não combater!!! E é isso…perfeitamente lógico!

E nós?

Por que ao primeiro sinal de que fomos prejudicados, imediatamente nos inflama a vontade de combater?

Mas… por que gostamos tanto do combater???

Podemos facilmente encontrar a resposta na programação dos soldados acima citados: foram programados para serem lutadores eficientes, não para serem orgulhosos!

E este é o grande problema (muitas vezes visto como virtude) que nos leva a querer combater: o orgulho!

Quero fazer aqui um convite à meditação e avaliação sobre o orgulho pessoal. Para facilitar vou reproduzir um trecho que acho fantástico do livro Mereça Ser Feliz – Superando as Ilusões do Orgulho*

Melindre é o orgulho na mágoa. Cultivemos a coragem de ser criticados.

Pretensão é o orgulho nas aspirações. Aprendamos a contentar com a alegria de trabalhar, sem expectativas pessoais.

Presunção é o orgulho no saber. Tomemos por divisa que toda opinião deve ser escutada com o desejo de aprender.

Preconceito é o orgulho nas concepções. Habituemos a manter análises imparciais e flexíveis.

Indiferença é o orgulho na sensibilidade. Adotemos a aceitação e respeito em todas ocasiões de êxitos e insucessos alheios.

Desprezo é o orgulho no entendimento. Acostumemos a pensar que para Deus tudo tem valor, mesmo que por agora não o compreendamos.

Personalismo é o orgulho centrado no eu. Eduquemos a abnegação nas atitudes.

Vaidade é o orgulho do que se imagina ser. Procuremos conhecer a nós mesmos e ter coragem para aceitarmo-nos tais quais somos, fazendo o melhor que pudermos na melhoria pessoal.

Inveja é o orgulho perante as vitórias alheias. Admitamos que temos esse sentimento e o enfrentemos com dignidade e humildade.

A falsa modéstia é orgulho da “humildade artificial”. Esforcemos pela simplicidade que vem da alma sem querer impressionar.

A prepotência é o orgulho de poder. Aprendamos o poder interior conosco mesmo transformando a prepotência em autoridade.

Dissimulação é o orgulho nas aparências. Esforcemos por ser quem somos, sem receios, amando-nos como somos.

reeducação moral através das reencarnações nos levará a renovar esse quadro de penúria espiritual da Terra, sob a escravização das sombrias manifestações orgulhosas.

Estamos todos, encarnados e desencarnados, nessa busca de superação e enfrentamento com as nossas imperfeições milenares, e não será num salto que venceremos a grande e demorada luta. Apliquemo-nos nas preciosas e universais lições de Jesus, iluminadas pelos raios da lógica espírita, e esforcemo-nos sem desistir da longa caminhada na conquista da humildade…

Precisaremos de muita coragem para ser humildes, ser o que somos…

Ser humilde é tirar as capas que colocamos com o orgulho ao longo dessa caminhada…

*Wanderley Soares de Oliveira, pelo Espírito Ermance Dufaux