Excelente texto, trecho do tópico “Umbanda promove a cura?” retirado do Fórum Umbanda Livre.

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A alguns anos, ouvi do Preto Velho com quem trabalho, o seguinte:

Filho, se nós fossemos esperar pelo merecimento de alguém, para poder ajuda-lo, nós não ajudaríamos ninguém… Nós fazemos o que podemos, e o que podemos é algo entre o que nos permitem daqui e o que nos permitem dai…

Vô Cipriano do Cruzeiro das Almas, nos relatou isso, em um sábado, durante os trabalhos no Terreiro, enquanto tratava de minha esposa, que havia estado hospitalizada na sexta-feira com cólicas renais, e constatou-se por meio de ultrassom, a existência de três cálculos muito grandes, que necessitariam de remoção cirúrgica.
Após os trabalhos no Terreiro, na madrugada de sábado para o domingo, ela teve outra crise de cólicas renais e novamente a conduzi ao hospital, onde um novo exame constatou que não havia mais cálculos… O médico de posse dos dois exames realizados no intervalo de um dia, solicitou outros exames para afastar a hipótese de erro, e após receber os resultados, perguntou o que fizemos, pois tais cálculos não poderiam ser expelidos, devido suas dimensões, e não havia sinais de fragmentos cristalinos, característicos de uma ruptura dos cálculos, além de não haver traços de sangue, característicos de micro lesões nas paredes dos rins.

Devemos considerar que existem doenças fatais e que a pessoa, por mais que busque auxílio junto a medicina ou a religião, vai morrer dessa doença. Pois esta doença é apenas o meio pelo qual se processará o desencarne.

Existem também, casos onde a cura está além das possibilidades de uma Entidade, pois a pessoa doente não crê, não permite, não tem interesse, ou está sob execução de um dos mecanismos da Lei de causa e efeito.

Eu, certa vez, pedia a Seu Tata Caveira, com quem trabalho, para que me ajudasse a me livrar do vício do cigarro… Perguntei a ele, se eu parasse de fumar, eu poderia reduzir ou restringir o uso do fumo no Terreiro, para que eu não sentisse tanta vontade…

Ele me respondeu o seguinte:

“O vício é seu, a falta de vergonha na cara é sua… Eu não tenho nada com isso, não fui eu quem lhe pôs um cigarro na boca, não fui eu quem lhe deu o vício, foi você quem o procurou sozinho.

Quer parar de fumar, pare, mas eu não abro mão de meu charuto e não vou lhe ajudar a curar algo que só cabe a você.”

Eu ainda não criei vergonha na cara… rsrsrsrs

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7-26Autor: Jose Roberto, Bàbáláwò do Ilé Àsè Olóònòn, a Casa dos Senhores dos Caminhos, situada no município de Suzano – SP, filiado a Federação Umbandista do Grande ABC, membro da Sociedade de Ciências Antigas, fundador da Antiga Arte Brasil, membro do grupo Escrevayê e um dos moderadores do fórum Umbanda Livre.